Cuiabana desbanca Renan Calheiros e impõe derrota histórica à velha política de Alagoas

A eleição de Marina JHC (PSDB) para o Senado por Alagoas representa uma das principais derrotas para a política tradicional no estado. Aos 35 anos e em sua primeira disputa eleitoral, a cuiabana conseguiu superar nas urnas um dos políticos mais longevos do país: Renan Calheiros (MDB), que tentava conquistar o quinto mandato consecutivo no Senado.
Marina recebeu 926.860 votos, o equivalente a 28,20% dos votos válidos, e terminou na segunda colocação. A primeira vaga ficou com Arthur Lira (PP), que obteve 948.703 votos, ou 28,87%. Renan Calheiros terminou em terceiro, com 731.045 votos, correspondentes a 22,24%.
A diferença entre Marina e Renan foi de 195.815 votos.
O resultado ganha peso político porque encerra, nas urnas, uma trajetória de mais de três décadas de Renan Calheiros no Senado. Ele chegou à Casa pela primeira vez em 1994, tomou posse no ano seguinte e foi reeleito em 2002, 2010 e 2018.
Ao longo de 32 anos no Congresso, Renan ocupou a Presidência do Senado em quatro oportunidades e se consolidou como uma das figuras mais influentes e tradicionais da política brasileira.
Desta vez, porém, a força da estrutura política não foi suficiente para garantir sua permanência.
Renovação contra a velha política
A vitória de Marina JHC ganhou força justamente em uma campanha que explorou a ideia de renovação. Em sua primeira eleição, ela utilizou o nome do marido, JHC (PSDB), na urna e ampliou sua presença nas redes sociais, apresentando-se como uma alternativa à política tradicional de Alagoas.
O resultado pode ser interpretado pela direita como mais um sinal de rejeição a estruturas políticas consideradas ultrapassadas e à permanência prolongada dos mesmos grupos no poder.
Marina não apenas derrotou um adversário tradicional. Ela tirou do Senado um político que estava há 32 anos na Casa e que buscava estender sua permanência por mais oito anos.
A eleição também teve um componente simbólico para Mato Grosso. Natural de Cuiabá, Marina passará a representar Alagoas no Senado Federal a partir de 2027, depois de construir sua trajetória política no estado nordestino.
Derrota atinge também o grupo de Renan
O resultado eleitoral foi ainda mais duro para o grupo político de Renan Calheiros. No mesmo pleito, seu filho, Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes do governo Lula, foi derrotado na disputa pelo Governo de Alagoas.
JHC foi eleito governador de Alagoas ainda no primeiro turno, reforçando o resultado favorável ao grupo político que se consolidou como alternativa aos Calheiros.
A derrota simultânea de pai e filho transforma o resultado em um revés expressivo para uma das famílias mais tradicionais da política alagoana.
Para os setores de direita e de oposição à política tradicional, o resultado é visto como um recado das urnas por renovação e mudança de comando.
Uma cuiabana no Senado
Marina Antunes Candia e Figueiredo tem 35 anos, é natural de Cuiabá e disputou sua primeira eleição. Casada com JHC, foi primeira-dama de Maceió durante o período em que o marido comandou a capital alagoana.
Agora, ela dará um passo maior na carreira política e ocupará uma das duas cadeiras de Alagoas no Senado a partir de 2027.
A eleição coloca uma cuiabana no centro da política nacional e, ao mesmo tempo, encerra um dos mais longos ciclos de permanência política no Senado.
Depois de quatro mandatos consecutivos, quatro vezes na Presidência da Casa e 32 anos no Congresso, Renan Calheiros ficará fora do Senado a partir de 2027.
A mensagem das urnas foi clara: um dos nomes mais tradicionais da política brasileira foi derrotado por uma candidata estreante, mais jovem e apresentada ao eleitor como símbolo de renovação.
Resultado do Senado em Alagoas
Arthur Lira (PP): 948.703 votos — 28,87%
Marina JHC (PSDB): 926.860 votos — 28,20%
Renan Calheiros (MDB): 731.045 votos — 22,24%
Dr. Wanderley (MDB): 358.478 votos — 10,91%
Davi Davino Filho (Republicanos): 293.008 votos — 8,92%



