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Ilustres Imortais: Nilza Queiroz Freire, Sueli Batista, Neila Barreto, Lindinalva Rodrigues, Eduardo Mahon, Agnaldo Silva e Amini Haddad

A pena inspirada de Sueli Batista Estar presidente da Academia Mato-Grossense de Letras-AML, cargo que Sueli Batista ocupa desde setembro de 2019, exige muita responsabilidade, dedicação e respeito. Ela considera que as duas gestões que…

Ilustres Imortais: Nilza Queiroz Freire, Sueli Batista, Neila Barreto, Lindinalva Rodrigues, Eduardo Mahon, Agnaldo Silva e Amini Haddad
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A pena inspirada de Sueli Batista

Estar presidente da Academia Mato-Grossense de Letras-AML, cargo que Sueli Batista ocupa desde setembro de 2019, exige muita responsabilidade, dedicação e respeito. Ela considera que as duas gestões que lhe foram confiadas, por eleição, vieram com valores agregados, possibilitando-lhe a realização de grandes feitos para a instituição. Tornou-se imortal ao ser empossada em novembro de  2014, quando passou a ocupar a Cadeira 34. Com sua performance multifacetada: jornalista, empreendedora nas áreas de Comunicação e Desenvolvimento Humano, está deixando seu legado pelo que vem também de sua pena inspirada, como poeta, escritora e memorialista.

Sueli Batista recorda que conheceu a Casa Barão de Melgaço, sede da Academia Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, na década de 80, quando foi entrevistar para o Jornal O Estado de Mato Grosso o então presidente da Academia, Lenine de Campos Póvoas. Jamais imaginaria que anos depois estaria ela como membro e muito menos a sua principal responsável. Sueli sente-se gratificada por ter sido a presidente que finalizou a história do 1º Centenário da instituição, criando e outorgando honrarias através da Medalha do Centenário e da Comenda José de Mesquita, homenagem ao fundador e recebendo altas autoridades do cenário nacional e local, em vários eventos promovidos. Reeleita, parte para os novos desafios. É a presidente que começou a escrever a história do bicentenário da AML, preparando-a para o futuro, com muito trabalho e com o seu coração carregado de um sentimento que ela, por mais que tente, não consegue traduzir.

Como poeta Sueli Batista tem prêmios de literatura em nível nacional, e destacou-se com o livro de poesia Pássaro Passará, de 1996. Dez anos depois, alguns poemas da obra foram musicados por Lucina e Alzira Espíndola, compositoras brasileiras. As músicas integraram o CD que tem o mesmo nome, e que ganhou as interpretações de artistas consagrados nacionalmente, os cantores Carlos Navas e Tetê Espíndola, com arranjos do músico Ronaldo Rayol. Três poesias do disco foram declamadas pela atriz Clarisse Abujamra, do circuito nacional de teatro e da televisão. Hoje o disco integra o Instituto Memória da Música Brasileira – IMMuB, do Rio de Janeiro, e está em todas as plataformas digitais, podendo ser ouvido no mundo inteiro. Seu último trabalho foi dedicado ao público infantil e juvenil e recebeu o nome de “A Chalana de Nhô É”, sendo um dos projetos selecionados pela Lei Aldir Blanc.

 

Sua trajetória

Na década de 80, quando chegou a Cuiabá, trazida da capital paulista, sua terra natal, pela Televisão Centro América, a jornalista recém-formada optou, por força de circunstâncias, por se dedicar à imprensa escrita, fazendo carreira no Jornal O Estado de Mato Grosso e atuando paralelamente como editora da Revista Impacto. Após três anos na capital mato-grossense tornou-se, além de profissional, uma empreendedora.

Fundou a Studio Press Comunicação e Editora, que completou 34 anos em março, ao lado de Mariza Bazo e Márcia Pereira (ex-sócia). Através da empresa foram publicados diversos livros, inclusive os seus e criado na década de 90, o  Rosa Choque, o primeiro jornal a entrar na internet em Mato Grosso. O veículo segmentado para mulheres tornou-se portal e recentemente uma nova  empresa de comunicação, tendo, além de Mariza, novos parceiros: Zilda Zompero e o casal Rodrigo e Cynthia Costamilan. No campo de desenvolvimento e responsabilidade socioambiental, criou em 2010 o Instituto EcoGente, empreendimento no qual coloca em prática o que aprendeu no MBA em Terceiro Setor e Políticas Públicas, pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro; e nas formações de Master Coach e especialista em Psicologia Positiva, no IBC de São Paulo.

Olhando para a atualidade e voltando os olhos ao passado, nota-se que o tempo de Sueli não parou, por sua dinâmica, desde que colocou os seus pés nas terras cuiabanas. Foi por 30 anos assessora de comunicação do Sistema Fecomércio/Sesc e Senac, conquistando o Prêmio Aberje por um de seus livros para a instituição. Foi convidada para integrar o primeiro Comitê de Comunicação da CNC, responsável pelo Centro-Oeste, atuou como professora de Comunicação na UFMT e IVE, formando as primeiras turmas de jornalismo. Outro destaque é a sua liderança em importante movimento feminino. Fundou em 2001 e presidiu por duas gestões a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais – BPW Cuiabá, e também foi presidente da BPW Brasil, sendo hoje conselheira superior de ambas. Integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o Comitê Executivo Nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. Participou de missões internacionais na América Latina, África do Sul, EUA, Ásia e Europa. Falou para 42 países em Beijing – China, antes da Rio + 20 e integrou, em 2012, a comitiva do Itamaraty acompanhando a Ministra da Mulher, Iriny Lopes, a Nova Iorque, na CSW, maior evento global de mulheres, realizado anualmente pela ONU.

A história de Sueli Batista é, portanto, um entrelaçamento de muitas histórias e ela orgulha-se de ter sido uma das condutoras brasileiras da Tocha Olímpica, escolhida pelo Comitê da Rio 2016; de ter recebido do Senado o Prêmio Bertha Lutz, o mais almejado pelas mulheres que defendem os direitos femininos; do Governo, a Medalha do Mérito de Mato Grosso, no grau de oficial; títulos de cidadanias: Cuiabana, da Câmara e Mato-grossense, da Assembleia Legislativa; a Soberana Ordem da União Fraterna Brasil Estados Unidos, outorgada em Nova Iorque pelo Cicesp, no auditório da ONU, e o Cercle Universel Des Ambassadeurs de La Paix-Suisse/France, além das comendas do Comércio, Mérito do Empreendedor JK, Marechal Rondon e da BPW Brasil.

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Jornalista e historiadora Neila Barreto fala sobre sua atuação na Academia Mato-grossense de Letras e como presidente do IHGMT

“Por estas paredes endurecidas pela história da Casa Barão de Melgaço, recebemos o ânimo do brio e o estímulo do civismo, principalmente das mulheres que por aqui passaram e por aquelas que hoje estão deixando o seu legado de 1921 a 2022”. Esta é a frase da historiadora e jornalista Neila Maria Souza Barreto descrevendo a relevância histórica da Casa Barão de Melgaço, que abriga a Academia Mato-Grossense de Letras (AML) e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, a mais longeva instituição cultural de Mato Grosso. Além de conhecimento histórico sobre a Casa Barão de Melgaço, a historiadora é acadêmica das duas instituições que lá funcionam.

Na AML a jornalista é a primeira secretária e ocupa a cadeira 19. “Tomei posse na noite de 29 de novembro de 2019, na Academia Mato-Grossense de Letras, na cadeira 19, cujo Patrono é o fundador de Várzea Grande – José Vieira Couto de Magalhães, sendo o primeiro ocupante José de Mesquita e depois a historiadora Vera Yolanda Randazzo. Sou a 17ª ocupante de uma cadeira na Academia Mato-Grossense de Letras. Atualmente, 13 mulheres fazem parte do espaço privilegiado da intelectualidade mato-grossense”, explica a acadêmica. Já no IHGMT Neila é a atual presidente, bem como atua desde 2017 na instituição e tem como Patrono o Padre Ernesto Camillo Barreto.

A historiadora possui experiências nas áreas do magistério, pesquisas, Memória, Museu e Memorial, Genealogia, História das Instituições, Minibio e Biografias, privilegiando principalmente nos seguintes temas: água; instituições; mulheres, história de vidas; de cidades. Atuou como professora de instituições pública e privada, foi jornalista da Sanemat e Sanecap. Atualmente, seu interesse se volta para a questão do meio ambiente, da sustentabilidade, da água, do turismo, mulheres, educação e memória, dando ênfase, no momento, na pesquisa sobre o Padre Ernesto Camillo Barreto, num recorte histórico de 1826 a 1896. A jornalista já publicou livros e artigos, além de coordenar documentários.

Segundo Neila, ela pertence a uma geração que cresceu embalada pelos valores perenes que marcam as letras e a alma, além de ser uma guardiã de memórias. “Graças ao meu ofício de jornalista-historiadora, produzi a biografia de Sarita Baracat de Arruda, a vida de Maria Barata Corrêa da Costa e do Padre Ernesto Camillo Barreto. A partir disso, meu exercício diário é buscar o impossível sempre, tais como: produtos tecnológicos – Memoriais e Museus”, informa.

A jornalista-historiadora produziu os vídeos da Caixa d`Água Velha em Cuiabá, em conjunto com a TV Brasil – Conhecendo Museus, entre outras pesquisas, como a Revista do Siprotaf, Fontes e Chafarizes; O Centenário da Festa de Nossa Senhora de Sant´Ana (1911-2011); 40 Anos do Senai-MT (no prelo), estampado na Revista do Senai-MT, 2017; Adufmat e as Famílias Pioneiras de Cuiabá, lançado com o nome “Gente que fez gente que faz”.

Neila é precursora da história das Instituições em Mato Grosso, com o livro sobre o TCE-MT, onde é historiadora oficial. “Trabalhar em prol da memória e da cultura é um intenso exercício diário de paciência e resignação. Na Casa Barão de Melgaço procuro, na medida do possível, como voluntária, dar a minha contribuição de cuidados com a casa, como se fosse a extensão da minha vida. Não é fácil! Em relação à memória tenho trabalhado intensamente na preservação da sua memória e do seu acervo. De pires na mão e sem recursos é muito difícil. Já incluímos a casa em novas e sublimes tecnologias”, opina. Com auxílio da Lei Aldir Blanc, a jornalista-historiadora explica que restauraram o mobiliário da imortal Dunga Rodrigues e adequaram a sala para receber os acervos de Elizabeth Madureira Siqueira e Terezinha de Arruda. “No momento estamos trabalhando a memória do imortal Lenine de Campos Póvoas, com a implantação da sala do pesquisador, inclusive, com a reedição de suas obras mais importantes, bem como a parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer – Jefferson Neves, estamos ultimando a reabertura do Museu Histórico de Mato Grosso, localizado no centro histórico de Cuiabá, até o final do ano, se Deus quiser. Um presentão do governo Mauro Mendes para a população mato-grossense”, finaliza.

Minibiografia

Neila Maria Souza Barreto é mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso, na linha de pesquisa sobre Territórios e Cidades. Especialista em Ciências Políticas pelas Faculdades Unidas de Várzea Grande-MT; em Metodologia do Ensino Superior, pela Faculdade de Educação de Fátima do Sul (MS); em Didática do Ensino Superior, pela Faculdade de Filosofia, Ciências, Letras de Presidente Venceslau (SP). Graduada em Jornalismo pelo Instituto Várzea-grandense de Educação (1995), e em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT-1978).

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Nilza Queiroz Freire: primeira mulher a presidir a Academia Mato-Grossense de Letras

Em 2023, a escritora completará 30 anos na AML,considerando sua posse em 25.11.1993

Durante 87 anos, a mais antiga instituição literária de Mato Grosso, e uma das mais importantes entidades relacionadas à cultura no estado, foi presidida apenas por homens. Mas a contadora e escritora cuiabana Nilza Queiroz Freire mudou isso e também a história da Academia.

A aproximação de Nilza com o universo literário, segundo ela, deu-se no tempo em que estudou o terceiro ano do curso primário. Nesse período, ela lia o livro chamado “Antologia Nacional”, no qual eram elencados os principais escritores da época, como  Machado de Assis, Humberto de Campos, José de Alencar e outros. “Nós liamos na Antologia uma parte dos artigos deles. Então, eu via o que gostava e procurava o livro; na época, a gente tinha tempo para ler, mas não tinha dinheiro para comprar. Por isso emprestava, na Biblioteca Estevão de Mendonça. Depois, também recorria ao Sesc, quando ele se instalou em Cuiabá, na rua Cândido Mariano”, relembra.

Formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Nilza destaca que a Contabilidade era seu ‘ganha-pão’, mas ela também dedicava seu tempo para a escrita. A contadora começou a escrever artigos e crônicas sobre Cuiabá e a sua vivência na cidade, em jornais locais, principalmente no Diário de Cuiabá. De acordo com a escritora, alguns membros do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) gostaram de seus textos e a convidaram para se associar ao Instituto. Assim, em 25 de novembro de 1989, Nilza tomou posse no IHGMT, e, posteriormente, assumiu várias funções, como tesoureira, primeira secretária, segunda tesoureira e, atualmente, compõe o Conselho Fiscal.

Quatro anos depois da sua posse no Instituto Histórico, no mesmo dia em novembro, assumiu a cadeira de número 14 na Academia Mato-Grossense de Letras (AML), lugar que era de Hélio Jacob. Nilza relembra como foi especial sua sessão de posse, pois foi presidida por mulheres, sendo Maria de Arruda Muller, Dalva Lúcia Fortunato e outros e musicada por Dunga Rodrigues. “As pessoas podem perguntar: ‘Como é que na Academia, que é de Letras, pode ter uma contadora?’. A AML abre as portas para todas as profissões, só que você tem que ser literário”, explica.

Alguns anos após sua posse, a escritora tornou-se a primeira presidenta da AML. “Fiquei satisfeita com o destaque, mas também era muita responsabilidade. Felizmente, deu tudo certo e fui reeleita e, ao final, porque estávamos fazendo mudanças no Estatuto, acabei ficando mais um ano, totalizando, assim, cinco anos na presidência da AML, quando abria a casa diariamente, cumprindo o expediente das 8h às 12h”.

Além da AML e do IHGMT, Nilza também integra a Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis (AMACIC), onde ocupa a cadeira de número 10.  Realizou o documentário A Escola que Vivi, oferecido ao Governo de Mato Grosso, e publicou os livros “Plano de Contas”; “Micro Empresas como Modelo”, trabalho oferecido à Funcep; “Crônicas da Cidade Verde”; e, “Professora Alina: uma educadora além do seu tempo”, em coedição com Ivan Echeverria.

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‘Preferi fazer literatura, sem nenhum adjetivo’, diz Eduardo Mahon

Eduardo Mahon transita entre dois mundos, o jurídico e o literário, como ele próprio diz. Além de atuar como advogado, também já ministrou aulas em diversas faculdades de Direito e, atualmente, conclui seu doutorado em Estudos Literários.

Publicou cerca de 25 livros, entre romances, contos e poesia. É diretor geral da Revista Literária Pixé, que reúne escritores e artistas nacionais e internacionais. Além disso, integra o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e a Academia Mato-grossense de Letras (AML), tendo presidido a entidade. Para falar sobre essas e outras experiências, o escritor concedeu uma entrevista à Magazine Ilustre.

Como foi sair da confortável posição de advogado para se lançar como escritor? E como você consegue fazer as duas coisas sem que haja interferência de uma sobre a outra?

É interessante perceber como é possível transitar entre dois mundos, o jurídico e o literário. Comumente os juristas se satisfazem com a alcunha de “literatura jurídica” sobre textos que produzem. Não é de todo errado, claro. Preferi fazer literatura, sem nenhum adjetivo. Foi guinada bem radical sair do universo das petições jurídicas e me aventurar no texto literário. O texto literário está disponível à crítica de todos, público e especialistas. Não há defesas de títulos, de cargos ou posições sociais. Ou o livro é bem recebido ou não é. O grau de exposição é enorme e o escritor precisa mostrar profissionalismo na periodicidade e muita coragem.

O que você acha da imortalidade da AML? O que torna um escritor imortal?

A imortalidade dura até a morte, ora bolas! Noutras palavras, ela é uma imagem bonita criada para evocar a memória, uma continuidade institucional que atravessa gerações. Faz bem a academia glamourizar. A literatura precisa mesmo desse carinho. Todas as tribos têm seus rituais, nós também temos o nosso. Perceba que em qualquer academia o público nunca ouviu falar em determinados integrantes. Não escreveram? É claro que sim. Em geral, os integrantes de associações de letras escrevem muito e escrevem bem. A imortalidade, portanto, é mais um desejo do que uma realidade. Fico me perguntando quais os critérios pelos quais um autor se torna mais longevo. No fundo, o que importa é a humanidade que o texto proporciona. Quem nos julgará é o tempo. Estar na Academia Mato-grossense é uma linda passagem na minha vida, vai se incorporar à minha biografia, mas não fará diferença na análise da minha obra. Espero que ela sobreviva muito além de mim.

Como você se sente quanto aos seus livros? Há alguma preferência?

Escrevo com motivação profissional, estou sempre aprendendo. Há uma variação grande no meu próprio trabalho, muito embora eu consiga enxergar a costura que amarra as narrativas. Dos 25 livros que tenho, guardo carinho por todos. É muito difícil destacar algum, porque dizem que o último filho é sempre o mais mimado. Acho que acertei no romance A gente era obrigada a ser feliz, por exemplo. Ultimamente, com os poemas reunidos no Medusa de Aço acredito que o tema urbano tenha sido explorado a contento. Da minha obra, destacaria também o mais recente conto longo que intitulei Repartição, publicado pela Carlini & Caniato Editorial. Outro filho que gosto muitíssimo é a Revista Literária Pixé, que chegará a 50 números, entre edições mensais e especiais. Ora, reunir mais de 2.000 textos literários e artistas de diversas nacionalidades não é fácil, é uma empreitada que me realiza muitíssimo.

Como avalia sua atuação como membro da AML?

Fui presidente da AML, acho que montei uma diretoria bastante eficiente. Conseguimos preencher 10 cadeiras vagas, realizar cinco shows de música, incluindo aí o lançamento da Orquestra de Choro, publicamos cinco livros, organizamos um CD com uma antologia poética mato-grossense, mas esse inventário é chato como todos os outros. O que importa é que dei a minha contribuição e continuo interagindo com meus colegas. Acho que nossa instituição está rumando para uma renovação de mentalidade. Uma academia de letras não deve ser o pódio de chegada e sim um ponto de partida. O que sempre pretendi foi tornar a casa um ponto de cultura, um quintal verdadeiramente popular. Um mirante para outros mundos, isso é plenamente possível, sobretudo em literatura. Pessoalmente, acredito que, dos diversos eventos que sediamos, o mais simbólico foi uma rave de música eletrônica. A moçada amanheceu pulando. Não é fantástico?

Você tem algum desejo para o futuro?

Gostaria de ser lido, evidentemente. É uma forma de sobrevida sem aparelhos. Desejo para o meu estado e para o meu país que, algum dia, possamos falar de literatura no boteco da esquina com a mesma paixão com a qual discutimos a escalação da seleção brasileira de futebol. Talvez eu seja confundido na rua com um bom jogador. Quem sabe?!

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Promotora Lindinalva Correia Rodrigues é pioneira na atuação dos Direitos Humanos das Mulheres

Escritora e palestrante de âmbito nacional, na área de violência de gênero, direitos humanos das mulheres, violência doméstica contra mulher e Lei Maria da Penha, a promotora de justiça Lindinalva Correia Rodrigues foi a primeira representante do Ministério Público (MP) a aplicar a Lei Maria da Penha no Brasil.

Graduada em Direito (1994) e graduanda em Filosofia, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Lindinalva também é mestre em Direito (UFMT) e doutoranda em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO – UFMT). Além disso, ela exerce o cargo de promotora de justiça do estado de Mato Grosso desde 1997. Também integra a Academia Mato-Grossense de Letras (AML), desde novembro de 2019, ocupando a cadeira nº 37. “Compor a AML é uma grande alegria e honra, por poder desfrutar da companhia de confreiras e confrades magníficos, escritores e intelectuais conhecidos e reconhecidos, por suas produções literárias e artísticas em todo o país e fora dele”, opina a promotora.

Atualmente, Lindinalva atua como titular de uma das Promotorias de Justiça do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa. A promotora auxiliou a Comissão Provisória de Reforma do Código Penal Brasileiro de 2012 a 2013, bem como a CPMI da Violência Doméstica do Congresso Nacional. “No âmbito do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT), criei e coordenei vários projetos sociais de humanização, esclarecimento e protetivos para a população, tais como: “Questão de Gênero” (2009/2011); “Lá em Casa Quem Manda é o Respeito” (2011/2015); “Promotoras Legais Populares – MT” (2013/2014) e “Homens que Agradam Não Agridem” (2016/2017).

Além de sua atuação no MP-MT, nos projetos e na AML, a promotora também tem vários livros publicados, sendo o primeiro a obra “Direitos Humanos das Mulheres”, escrito em coautoria com a magistrada e escritora de Mato Grosso Amini Haddad Campos, lançado pela Editora Juruá, em sua primeira versão em 2007.  Desde então, Lindinalva publicou diversos livros e artigos em revistas científicas. O mais recente “Direitos Humanos das Mulheres na História – Expulsas do Paraíso” também foi lançado pela Editora Juruá, em 2021, e contará com sua publicação internacional na Europa ainda em 2022.

A promotora destaca que, em 28 anos de serviço público, já recebeu vários prêmios e homenagens em âmbitos municipal, estadual e nacional, podendo mencionar os títulos de “Cidadã Mato-Grossense”, concedido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em 2016;  a “Medalha Ruth Cardoso”, recebida em 2013, em Brasília; o título de “Cidadã Camponovense”, concedido pela Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis, em 2016; o “Prêmio CNMP” – Categoria Transformação Social, pela execução do Projeto: “Lá em Casa Quem Manda é o Respeito”, concedido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília, em 2015.

Além dessas premiações, também foi contemplada com outras dezenas de Moções de Aplausos e Moções de Congratulações, concedidas dentro e fora do estado de Mato Grosso, como a “Moção de Aplausos”  recebida pelo reconhecimento dos serviços prestados para o Ministério Público brasileiro no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher, concedida em Brasília, pelo Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Brasil (CNPG), em 2014, e a “Moção de Congratulação”, pela colaboração com o Ministério Público do Espírito Santo, concedida em  2011, pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo, em Vitória. Também foi contemplada com “Menção Honrosa”, concedida pelo Governo Federal em 2010,  pela Secretaria de Política para Mulheres, em Brasília; bem como recebeu o Prêmio Boas Práticas pelo “Projeto Questão de Gênero”, de 2010, concedido pelo Governo Federal. Outros reconhecimentos foram: o Título de Cidadã Cuiabana, concedido pela Câmara Municipal de Cuiabá, em 2009; a homenagem prestada pela bancada Feminina do Congresso Nacional, em 2007,  pelo lançamento do livro “Direitos Humanos das Mulheres”; o prêmio de “Melhor Trabalho Jurídico Acerca da Importância Social do Tributo e da Ética no Exercício da Função Pública”, concedido pelo MPE-MT, em 2002; a Ordem do Mérito Legislativo de Mato Grosso “Comenda Senador Filinto Muller”, ALMT, concedida pela AL-MT, em 2021, e muitos outros de singular relevância.

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‘O que nos torna Imortais é a nossa produção cultural e científica’, diz o professor e escritor Agnaldo Rodrigues da Silva

Doutor em Letras, Agnaldo também integra a Academia Mato-grossense de Letras (AML)

Graduado em Letras e Artes pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o escritor e professor Agnaldo Rodrigues da Silva é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tendo iniciado suas atividades docentes na Unemat, em 1997, na área da literatura, Agnaldo explica que foi a partir disso que começou o ofício da escrita criativa e crítica. “Nesse mesmo período, dei fôlego às atividades no âmbito do teatro, tanto na direção quanto na atuação, no grupo teatral da Unemat”, relembra Agnaldo.

Em relação à escrita, em 2003 o professor publicou o seu primeiro livro de crítica literária e teatral, intitulado O futurismo e o teatro, e, em 2004, organizou a coletânea científica Ensaios de Literatura Comparada, com importantes nomes dessa área de pesquisa. Com relação à escrita criativa (contos), seu primeiro livro foi publicado em 2004, intitulado A penumbra: contos de introspecção, seguido de Mente Insana (2008), Dose de Cicuta (2010), Baú de Pecados (2020), e, por último, uma peça teatral, chamada Fantasmas em Vila Maria (2021).

Segundo Agnaldo, hoje, ele sente imensa alegria em identificar suas obras nas mãos dos leitores, fundamentalmente nas escolas da educação básica. Agnaldo complementa que o projeto Literamato, coordenado pela Unemat, foi muito importante para que as escolas tivessem acesso às obras de autores mato-grossenses. “Eu tive o privilégio de fazer parte desse projeto de difusão da literatura em nosso estado, tendo uma de minhas obras escolhida, Fantasmas em Vila Maria. Trata-se de um livro que articula história e ficção, na recuperação de elementos da memória e identidade cacerense e mato-grossense”, explica. Em 2016, Agnaldo foi agraciado com o Prêmio Literocultural “Escritores – Personalidades do Ano”, em São Paulo, concedido pela Editora Delicatta. A premiação contemplou escritores de todo o Brasil e foi concedida a escritores do catálogo da Delicatta, assim como a outros escritores que se destacaram na produção literária nos diversos estados brasileiros.

No âmbito da escrita científica, dois outros livros precisam ganhar destaque, são eles: Projeção de Mitos e Construção Histórica no Teatro Trágico (2008) e O Teatro Mato-Grossense: História, Crítica e Textos (2010). “Depois, vieram tantos outros livros científicos, na área da literatura e do teatro. Na Academia, tenho procurado fazer o melhor, desde uma convivência harmoniosa com os meus confrades e confreiras, até a minha produção cultural e científica. Tenho produzido com muita responsabilidade e afinco, no sentido de honrar esse lugar que a Academia me concedeu. As minhas principais contribuições estão na produção literária e cultural, seja no âmbito da crítica, escrita criativa ou teatro. Sobretudo, tenho contribuído na formação de novos profissionais que têm somado esforços no redimensionamento do cenário cultural de Mato Grosso, tanto no âmbito das Letras quanto das Artes”, analisa.

Além de atuar como professor e escritor, Agnaldo foi eleito para a Academia Mato-Grossense de Letras em 2014, para ocupar a cadeira de nº 10. “Sem dúvida, é uma imensa satisfação a convivência com grandes personalidades de Mato Grosso, a grande maioria já estava na instituição quando eu ingressei. Tenho aprendido muitas coisas, nessa troca de experiências entre os mais antigos e os mais novos, tanto em termos de tempo de Academia quanto de idade. Ser um Imortal é, antes de tudo, contribuir para levar a Academia avante, com trabalhos relevantes em nossas áreas de atuação. É também contribuir com a produção cultural em nossa região, produzindo e difundindo a escrita literária e científica, além de outras formas de arte e cultura. Em outras palavras, o que nos torna Imortais é a nossa produção cultural e científica, uma vez que será esse patrimônio que permanecerá e nos fará ser lembrados no futuro”, finaliza.

Currículo do professor e escritor Dr. Agnaldo Rodrigues da Silva: http://lattes.cnpq.br/6923773518624191

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Juíza Amini Haddad Campos integra a equipe da presidente do STF e do CNJ, Ministra Rosa Weber

“Tropeços, descobertas, derrotas, vitórias, novos recomeços, horizontes descobertos. A cada dia, a vida se revela diante de nós. Nem sempre, porém, percebemos sua magnitude”. Esta frase faz parte do discurso de posse da juíza Amini Haddad Campos na Academia Mato-Grossense de Direito, em 2021. Por meio dele, é possível reconhecer que a magistrada não só percebe a grandeza da vida, como também ela mesma é um exemplo de magnitude da mulher do século 21.

Atuando há mais de 23 anos na Justiça de Mato Grosso, a juíza Amini Haddad tem um vasto currículo, considerando suas experiências profissionais e acadêmicas que contribuem para o desenvolvimento da área jurídica em Cuiabá, Mato Grosso e Brasil. Ademais, a magistrada também é membro da Academia Mato-Grossense de Letras (cadeira nº 39) e da Academia Mato-Grossense de Direito, da qual é membro-fundadora e titular da cadeira nº 2. De igual forma, é membro da Academia de Magistrados de Mato Grosso, onde também foi presidente, e da Academia Internacional de Cultura.

A juíza tem jurisdição na Vara Especializada de Execução Fiscal de Cuiabá, mas, no início do segundo semestre de 2022, a magistrada passou a compor a equipe da nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Min. Rosa Weber. Além de atuar como juíza de Direito, Amini também é professora efetiva da UFMT, assim como professora de cursos de pós-graduação em várias instituições. Também atua como professora pesquisadora sênior do Observatório à Participação da Mulher na Política, na Câmara Federal – Brasil.

Em sua atuação como pesquisadora e docente, Amini fundou e coordena o Núcleo de Estudos sobre as Vulnerabilidades, grupo vinculado à Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (NEVU-FD/UFMT). Além disso, é autora de 16 livros publicados no Brasil e no exterior, bem como de centenas de artigos jurídicos publicados em periódicos, revistas especializadas, sites e jornais. Palestrante com atuação em congressos internacionais, é também autora de diversos projetos na temática de Direitos Humanos, Equidade de Gênero entre Homens e Mulheres e de Sistemas de Justiça.

Recebeu diversos prêmios nacionais, dentre os quais destaca o Prêmio Carlota Pereira de Queiróz, do Congresso Nacional.

Também foi coordenadora de Direitos Humanos da Escola da Magistratura do Estado de Mato Grosso. É membro da Associação Internacional de Juízas (International Association of Women Judges/IAWJ) e membro-fundadora da Associação Brasileira de Mulheres Juízas. É associada e foi presidente do Conselho Administrativo da Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM). Foi Diretora da Secretaria de Gênero da Associação dos Magistrados Brasileiros.

Pode-se resumir esse caminho repleto de experiências acadêmicas e profissionais, reconhecimento pelo trabalho com uma frase de Amini Haddad: “aprender-reaprender é algo inerente à vida […]”.

Minicurrículo

Amini é graduada e laureada em Direito, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde foi condecorada com título e medalha de 1ª Média Geral de toda a instituição (média: 9,67). Possui MBA em Poder Judiciário, pela Fundação Getúlio Vargas, com estágio nas Cortes Americanas. Especialista em Direito Civil, Processo Civil, Direito Penal, Processo Penal, Administrativo, Constitucional e Tributário. Mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional, pela PUC-RJ. É doutora em Direito pela PUC-SP (Processo Civil – Efetividade do Direito), onde obteve nota máxima, com distinção e louvor. É também doutora em Direito pela Universidad Católica de Santa Fe (Multiculturalismo, Derechos Humanos y Violencia de Género contra las Mujeres), com nota máxima e distinção. É pós-doutora em Ações Coletivas e Direitos Sociais pela Universidad Salamanca-Espanha. Atuou em grandes projetos internacionais de Formação de Magistradas da Associação Internacional de Mulheres Juízas (IAWJ), bem como na ação global de amparo às juízas afegãs e às mulheres atuantes no Sistema de Justiça do Afeganistão, para fins de concessão de asilo humanitário pelo Governo Federal (Políticas de Estado). Foi uma das juristas que atuaram na construção normativa da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), no Congresso Nacional. Atuou na capacitação nacional para fins de instalação das unidades judiciais de combate à violência Doméstica, no Brasil. Foi a primeira juíza do Brasil com jurisdição à aplicabilidade da Lei Maria da Penha.

Com informações do site da Academia Mato-Grossense de Letras. https://academiamtdeletras.com.br/amini-campos